Raízes - Na Nossa Música Regional
by admin, posted 04/16/07 15:25:31
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Esta palavra saudade, Aquele que a inventou, A primeira vez que a disse, Concerteza que chorou. Cancioneiro Popular Açoriano Raízes Na Nossa Música Regional “Cantigas ao Desafio” Com todo o orgulho, que a minha alma contém, das minhas origens, venho aqui, numa simples homenagem, sem galas nem estrondos mas com o meu maior respeito, focar a criatividade dos Nossos Poetas Populares! Esta homenagem, tem como intenção primeira lembrar esse enorme talento, que ao longo dos séculos é pertença da nossa gente. O “Cantar ao Desafio” tem existido como grande entretenimento mas ainda muito mais como informação histórica, política e social, assim sendo para o Povo como ensinamento de incalculável valor. Há um velho ditado que diz: “De médico, de poeta e de louco todos temos um pouco” e é tal a verdade que envolve esta frase, que a nossa gente é conhecida pela sua veia poética. E jamais poderemos penetrar na história de um povo sem conhecer as suas quadras populares, que nos falam da vida, da morte e do amor. Seguindo os costumes dos mais velhos, vou tentar servir-me das minhas próprias recordações e lembranças, de um passado que vivi ainda menina e por isso mais autêntico, mais sentido. Quantas vezes assisti nos adros das igrejas da minha linda Ilha a fortes e destemidas “Cantorias”, por alguns dos mais apreciados improvisadores de todos os tempos. Era ver um João Lourenço Soares ( O Vital), um José de Sousa Brazil (O Charrua), um Francisco Ferreira dos Santos (O Ferreirinha das Bicas) e a brava mulher que foi Maria Angelina de Sousa (A Trulu), num debate picante, audacioso e inteligente, que conseguia atrair a atenção completa de multidões, durante horas, no mais fino improviso que existiu em todos os tempos nos Açores. Aqui vos deixo, algumas das melhores quadras destes improvisadores. Que tenho mantido na memória através do tempo. E neste preciso momento de lembranças, que me toca o coração, ainda pareço ouvir os primeiros acordes das tradicionais Violas da Terras, numa comovente e doce suavidade, acompanhando estas vozes, que são de ontem, de hoje e de sempre! Não te deves gloriar Com o mal do teu vizinho, Ás vezes, para pagar, O teu já vem a caminho. ( Trulu) Não te fies no teu ter Porque é esperança vã. Não sabes se podes ser Um pobrezinho amanhã. (Ferreirinha das Bicas) Guerra, monstro insaciável, Que só nos causa amarguras, Fera traidora, indomável, Que devora as criaturas. (Charrua) O coveiro por ser pobre Também tem os seus valores, Porque, quando enterra encobre Os enganos dos doutores. (Vital) E foram tantos, que deixaram páginas na História da nossa gente! Recordo aqui alguns nomes, dos melhores entre os maiores Poetas Populares: Maria Augusta - Maria Gregorio – Conceição Coutinho – Maria Angelina (Trulu) - Maria Cecília Alves – Gaitada – Bravo – Tenrinho – Vital e Charrua (Ilha Terceira). Serafím Machado – João Plácido – João Carvalho – Januário (Ilha de S. Miguel). Hoje em dia, ainda encontramos o melhor em improviso, não só nas nossas Ilhas como por aqui na Diáspora, com destaque para os filhos Micaelenses e Terceirenses, que continuam, como no passado, cantando a sua Terra e ao seu Povo. Bem Hajam! Quanto a mim... vou tentando assumir a parte da responsabilidade que me toca, de divulgar uma parcela da Cultura de Raiz Popular, que ainda nos resta. Talvez por meios simples mas com toda a ternura e orgulho, de ser também minha, esta Herança que trago no coração! Até á próxima e haja saúde! Conceição Baptista |

